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21/06/2006




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Segunda-feira, 19/06/2006 - 19:22h.
Da casa da Rosária eu resolvi voltar a pé para a minha. Seriam só 3 quarteirões e como ainda estava cedo, decidi caminhar um pouco.
Virei a primeira esquina no condomínio, em direção ao prédio que moro. Perdida em pensamentos, tentava me lembrar de todos os afazeres que ainda me aguardavam naquela noite fria. Talvez por esse motivo, não notei quando dois sujeitos de bicicleta se aproximaram de mim.
Um deles ficou atrás, nas minhas costas, enquanto o outro rapidamente desceu e parou bem na minha frente.
Quando o vi, entrei em estado de choque. Não entendi bulhufas o que aquele cara queria. Só nesse momento percebi a presença do outro que estava atrás de mim, me cercando. Numa questão de segundos imaginei mil e uma coisas horríveis que eles poderiam fazer comigo. Gelei. Estava perdida.
O da frente, que estava bem próximo a mim, esticou os dois braços em minha direção. Com a mão direita ele ameaçou abrir a minha blusa e com a esquerda puxou a minha bolsa.
Pronunciou palavras, ameaçou alguma coisa com sua boca nojenta e sua respiração pesada.
Eu apavorada e sem o menor controle sobre minhas reações, imediatamente, e com toda a minha força, lhe sentei a mão na cara. Sim, eu fiz isso!
Ele ficou parado na minha frente me olhando, como se não acreditasse.
Comecei a gritar, também por impulso. Não me lembro do que gritei, só sei que gritei muito, desesperadamente.
Ele tentou novamente puxar a minha bolsa e eu gritei mais ainda.
Como um milagre, eles desistiram.
Subiram em suas bicicletas, correram até a outra esquina e de lá continuaram me ameaçando até que sumiram.
Respirei fundo. Olhei em minha volta, tudo deserto.
Das casas próximas, ninguém ousou prestar ajuda.
Não sei quanto tempo durou isso tudo, pode ter acontecido em menos de 1 minuto. Para mim, foram horas.
Não me fizeram mal maior, não me roubaram, não me agrediram.

Estou arrependida de não ter simplesmente entregado a bolsa e pedido para eles irem embora.
Os infinitos "se's" que multiplicam em minha cabeça me deixaram abalada. Mas "se" eles estivessem armados? "Se" eles me batessem?
A gente sempre ouve casos horríveis de pessoas que reagiram a assaltos e não tiveram a mesma sorte que eu. Quer um exemplo recente e famoso? Rodrigo Netto, dos Detonautas.
Tá certo que esses bandidos que me abordaram eram pés de chinelo, mas poderiam ter uma faca ou coisa parecida. Um soco também poderia fazer estragos.
Nunca tive a intenção de agir assim, simplesmente aconteceu.
Talvez semana que vem eu consiga dar risada disso, mas por enquanto é cedo. O susto ainda não passou.
Não vou perder tempo em falar para vocês nunca reagirem caso aconteça coisa parecida. Não adianta, ninguém lembra disso na hora. Não dá tempo.
O instinto de sobrevivência fala mais alto.

Após o ocorrido, voltei chorando para a casa da Rosária. O JP me levou embora. Na volta ele viu a polícia conversando com os moradores da rua onde isso aconteceu. Eles ouviram tudo e chamaram a polícia (para não dizer que não fizeram nada!).
Os bandidos não foram presos e tudo ficou por isso mesmo.

O Léo estava viajando. Foi uma noite longa.

O que pretendo fazer? O que resta a todo cidadão de bem: ficarei trancada dentro de casa enquanto os bandidos estão soltos.


11:42

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